
Fui ter com ele à praia, como combinado. Cheguei mais cedo, mas ele já lá estava, sentado numa rocha, virado para o mar. Aquele cabelo grisalho era inconfundível, até para o meu olhar míope e ainda ensonado.
Aproximei-me e pus-lhe a mão no ombro, em silêncio. Senti-o sorrir. Segurou a minha mão e disse-me "Vou-me embora", sem nunca deixar de olhar para o mar. Eu não disse nada, apenas esbocei um sorriso. Levantou-se, deu-me um abraço com cheiro a saudade, e lá foi, rumo ao horizonte.
À medida que o barco (ou seria uma casca de noz?) se ia afastando, o Velho Sábio acenava-me, sempre a sorrir. Na outra mão, segurava a Caixa de Magia, que trazia sempre com ele, para me fazer sorrir.
Sr. Sábio, esqueci-me de lhe perguntar uma coisa: quem parte a acenar, está a dizer-nos "Adeus" ou "Até já"?