quarta-feira, abril 25, 2007



"Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim"... que estamos assim, frente a frente, mão contra mão, a olharmo-nos nos olhos e quase sem precisar de dizer nada. Mas, na nossa linha do Tempo, lá ao fundo, bem ao fundo, acho que já consigo vislumbrar o dia em que eu, tu ou nós, teremos, invariavelmente, de dar um passo para a frente... ou um passo para trás.


Enquanto esse dia não chega, assim, frente a frente, vamos dando passos para o lado, dançando ao ritmo da música que escolhes sempre tão bem, ou da chuva que bate no telhado de vidro, mesmo aqui por cima de nós. Aqui o Tempo desaparece e enrola-se sobre si mesmo. Aqui nada mais importa.
 
By Joana @ 2:01 da tarde | 2 notas com outras assinaturas
sexta-feira, abril 20, 2007
Lá ia ele, muito devagarinho, pelo corredor. Os passinhos que dava, proporcionais ao tamanho dos seus sapatos, sucediam-se a medo, com calma. Ainda há poucos dias tinha dado o seu primeiro passo, quase tão aplaudido pelos pais como a queda que o sucedeu. Não queria cair mais vezes, por isso andava, devagarinho, sem pressas, muitas vezes apoiando-se nas paredes e nos móveis, com passinhos pouco maiores que os seus sapatos.


Desconfio que estes sapatos me começam a ficar apertados. Os meus pés cresceram, já não cabem aqui. Ao final do dia sinto-os doridos, mal consigo andar.

Vou dormir. Amanhã, quando acordar, saberei certamente o que fazer: tiro os sapatos e continuo a andar, mesmo descalça, ou espero que o senhor da loja me traga uns sapatos maiores para eu experimentar?
 
By Joana @ 12:25 da tarde | 1 notas com outras assinaturas
quinta-feira, abril 12, 2007

Foto: Deserie Douleur


"Eu sei que de repente viste o teu Mundo virado do avesso", disseste, num tom misto de coisas doces e amargas. "Só mesmo tu para me roubares uma lágrima numa altura destas...", pensei.

Hoje vesti assim, do avesso, a minha camisola cor-de-rosa (a mesma que há tempos me despiste e deixaste no chão do quarto). Saí à rua a medo... mas afinal não custou nada. Habituei-me.

Amanhã vou fazer o mesmo com o meu Mundo: saio à rua com ele mesmo do avesso. Com o tempo hei-de descobrir que também é muito bonito assim... Não?
 
By Joana @ 9:22 da tarde | 2 notas com outras assinaturas
terça-feira, abril 10, 2007
Foto: Pierre Vaude

Acordei em sobressalto. De repente, talvez em sonhos, descobri que o Dia das Mentiras já passou...

Eu tinha tudo planeado: ia dizer(-nos) que não gosto de ti. Que ainda não fazes parte dos meus dias (nem os preenches de uma forma tão tua... tão nossa). Que nunca te vejo quando não estás, que não vives nas banalidades que se vão cruzando comigo (e que hoje me iluminam o olhar e o sorriso). Ia dizer que não sinto que os dias são nossos, nem o tempo de ninguém. Ia até encher o peito de ar, levantar a cabeça e dizer que isto não é, definitivamente, "um-bocadinho-mais-que-paixão".

Ia... mas deixei passar a data... e agora já não consigo dizer nada.
Talvez para o Ano... lembras-me?
 
By Joana @ 1:17 da manhã | 1 notas com outras assinaturas