domingo, outubro 29, 2006

[Para a minha amiga Dunga. À falta da máquina de teletransporte (que ofereceria de bom grado), aqui fica um bocadinho de mim, em jeito de "até já". ]







Não sei quando chegaste. Acho que foste chegando... foste aparecendo... foste entrando e preenchendo as nossas vidas de uma forma tão tua.

Nunca suspeitámos que trazias no bolso esse copo para fazer bolas de sabão. No entanto, fomos descobrindo que com um só sopro, conseguias colorir uma sala inteira. Como que por magia, todos os problemas ficavam escondidos dentro das bolinhas de arco-íris, que refletiam então sorrisos e alegrias esvoaçantes, num espelho côncavo do Mundo então criado.

Hoje o Sol e o frio acordaram em harmonia. Estamos no Inverno, agora já não há dúvidas. Vesti o sobretudo, tracei o cachecol, calcei os sapatos "de fim-de-semana" e, depois de ir dar um beijo ao "meu homem", saí sem pressa para o meu passeio matinal pelo paredão. Gosto de passar as manhãs de Domingo só comigo e com a maresia, que se vai encarregando de restituir os caracóis ao meu rabo-de-cavalo, apagando assim os vestígios típicos da Saturday Night Fever.

Sentei-me numa esplanada junto à praia e pedi um chocolate quente. Uma brisa fria, vinda do Norte, trouxe uma bola de sabão colorida, que poisou em cima da minha mesa sem rebentar. Inclinei-me sobre ela, e olhei-a como se de uma bola de cristal se tratasse. Lá dentro, vi desfilarem memórias de meninas que se fizeram mulheres, ao som de melodias familiares. Depois vi-te sorrir, já no Presente. Quando me preparava para ver o Futuro, a bolinha de sabão rebentou.

Mas só ela desapareceu. As memórias, e tudo o que as criou, permanecem e ficarão para sempre.

Levantei a cabeça e voltei a sorrir. Sei que estás bem e que o mesmo Vento Norte que hoje trouxe esta bola de sabão, te traz todos os dias.



"Aqui encontro o meu porto seguro
E as asas para voar
Aqui eu sei que nunca chega o escuro
E é onde eu vou para sempre estar."



 
By Joana @ 11:03 da tarde | 7 notas com outras assinaturas
terça-feira, outubro 17, 2006
Foto: Davide Simonelli

Sentei-me no teu colo, passei o meu braço por cima dos teus ombros, sorri de uma forma quase infantil, e disse: "Pede um desejo!".

Tu pegaste-me na mão, olhaste-me nos olhos e respondeste "Hmmm... Um desejo... Não sei... Dá-me tempo para pensar...". Deste-me um beijo e voltaste a olhar para a televisão.

Podias ter pedido o Sol (também te dava a Lua). Podias ter pedido chuva e relâmpagos, naquelas noites de Outono em que o frio fica lá fora. Podias ter pedido um beijo, um toque, ou apenas um olhar. Um sorriso. Uma lágrima.

Não te posso dar o que não é meu. O tempo passa por mim, mas não o consigo agarrar (e muito menos pô-lo num embrulho bonito).

O máximo que posso fazer é tentar pará-lo novamente. Ajudas-me?
 
By Joana @ 12:40 da tarde | 6 notas com outras assinaturas
quarta-feira, outubro 11, 2006

Foto: Knut Wiarda


[Para a minha amiga Marisca, com um pedido de desculpas antecipado pela alteração ao título sugerido. Não só, mas também.]

"Pena que para renascer, seja preciso morrer primeiro", pensávamos.

Gosto de te ver andar, hoje, quase sem medo. Com um sorriso enorme e sentido, de vez em quando ousas dar um salto, tirar os pés do chão, e relembrar como é bom voar.

Sei que amanhã vais acordar e descobrir que afinal não renasceste. Numa escala de relatividades, a morte nunca existiu. Nasceste hoje. Eu, que esperava impacientemente, assisti a tudo. E mais uma vez, aplaudi de pé, a sorrir.
 
By Joana @ 11:52 da manhã | 3 notas com outras assinaturas
segunda-feira, outubro 09, 2006

Foto: A. Green Ione



Acordei lentamente com a luz do sol. Entrou sem pedir licença pela mesma janela que ontem deixava ver as estrelas, e por onde passava o luar, que por alguns instantes parecia existir apenas para nos iluminar tenuamente.

Ao sentir-me acordada, o cão veio dar-me os bons dias. Perguntou por ti, e eu disse-lhe que já tinhas saído. Foi deitar-se novamente, com o ar pachorrento do costume, mas ainda consegui ler-lhe os pensamentos "Mas quem é que trabalha a um Sábado?!?"

Na mesa de cabeceira, tinhas deixado um bilhete:

"Bom dia! Quando acordares liga-me.
Bj "

Sorri, virei-me para o outro lado e voltei a adormecer, agora na tua almofada (cheira tão bem!). Pelo caminho, ainda tive tempo para pensar, num tom enternecido: Com tantas coisas a precisarem de ser abreviadas, tinhas logo de escolher o beijo...
 
By Joana @ 5:05 da tarde | 8 notas com outras assinaturas