
Entrou de repente e sem pedir licença. Trouxe com ele novas cores, novos cheiros, novos sabores. Eu já tinha saudade, mesmo sem saber.
Ficam agora cada vez mais distantes os dias que não acabavam nunca, as noites mal dormidas, passadas a céu aberto e os passeios na praia.
As cigarras já não cantam, e vão agora arrepender-se de não terem feito outra coisa o Verão inteiro.
As folhas desta árvore já amareleceram. Em breve irão cair e apodrecer no chão. Eu vou guardar uma, a mais bonita, dentro daquele livro pesado que nunca mais acabo de ler, para me lembrar de ti (que, como ela, caiste).
Na mudança de estação, todas as coisas são apenas e só elas próprias: o céu é o céu, o mar é o mar, eu sou eu, o sol é quase nada e um beijo é um beijo (não é uma promessa).
Ouvi ontem na rádio que o Outono começou no dia 22 às 5 e qualquer coisa; Mas ao fim da tarde, quando o sol se põe, o Vento Norte ainda cheira a Verão...