
Era uma vez uma pessoa (acho que para o caso não interessa se era homem, mulher ou um misto das duas coisas... é uma pessoa) que perdia tudo. Por distracção, por desleixo, não sei. Perdia tudo.
Deixava as chaves de casa em todo o lado, tendo sempre que recorrer às suplentes para fazer cópias. A fechadura do carro teve de ser substituída, tal era o número diferente de imitações que tinha já suportado. Não podia usar óculos escuros nem relógios, porque eram investimentos sempre pouco duradouros. Os documentos de identificação eram sempre segundas vias (ou superiores). Até roupas a pessoa perdia (por mais estranho que isto possa parecer).
Um dia, perdeu o Amor. Procurou, mas nunca voltou a encontrá-lo. E depressa descobriu que deste não existem "segundas vias".